Postagens

Mostrando postagens de 2026
Imagem
Ensaio 026 Índice dos Ensaios Mapa do Caminho Sobre Silas O Lobo e a Ovelha Silas é o diplomata: o que serviu ao poder e aprendeu a ir a pé. No café, foi o último a abrir a mochila — e o que saiu dela doeu: os dados das urnas mostravam que só a Classe E, a mais pobre, votou diferente de todas as outras.  O lobo e a ovelha, a ovelha e o lobo: quem domesticou quem? Este é o ensaio mais mordaz escrito por Silas. Ele  o escreve com a precisão de quem conhece o poder por dentro: a teologia do lobo, a meritocracia como doutrina, o púlpito citando Nietzsche às avessas, o deus das metas e das planilhas.  Não é ensaio contra a fé — é contra a fé que converte o predador em doutrina e a presa em culpada. 1. Nota do Curador Este terceiro [1] [2] texto de Silas não chegou em envelope pardo. Chegou dobrado dentro de um mapa de estrada — daqueles que se compram em posto de gasolina, se abrem uma vez e se abandonam no banco do carro. As dobras guardavam poe...
Imagem
Ensaio 025 Índice dos Ensaios Mapa do Caminho Sobre Joel O Relógio de Deus "Depois que mexeram no relógio de Deus, tá essa bagunça." A frase não é de um teólogo. É de um taxista de Congonhas, repetida por um pastor numa tela pequena de café de beira de estrada — e Joel a ouviu de segunda mão, como quase tudo o que nos acusa de verdade. Ela parece falar do tempo. Não fala. Fala de ordem, de autoridade e de quem se autoriza a mexer no que está no lugar. O que Joel faz neste ensaio é levar a frase para o deserto e sentar-se ao lado dela até ela dizer o que esconde. O que aparece é uma teologia inteira montada sobre o medo: a ordem que se confunde com Deus, a hierarquia que se veste de lei natural, a oração que virou pedido de manutenção. E, do outro lado, uma lei mais antiga — o jubileu, que Deus mesmo mandou mexer de cinquenta em cinquenta anos. Não espere um ensaio sobre calendário. Espere um ensaio sobre o ponteiro: todo "é Deus" aponta para algum l...
Imagem
Ensaio 024 Índice dos Ensaios Mapa do Caminho Sobre Barnabé Conviver com Quem não Convive? Barnabé é o mediador do grupo: o que traduz, aproxima, costura. No café, foi ele quem trouxe a conversa para o vizinho — aquele que quer decretar o Brasil de Jesus Cristo e não vê contradição nenhuma no decreto.  O ensaio nasceu dessa inquietação: como conviver com quem não convive, quando conviver é o ofício da própria vida? Não é ensaio contra o vizinho. É ensaio contra a tentação de transformar o vizinho em problema — e contra a tentação espelhada, a de transformar a própria fé em decreto. Barnabé caminha no fio: nem abrir mão da convicção, nem fechar a porta ao próximo. O ensaio não escolhe por você; mostra o fio e a altura da queda. 1. Nota do Curador Há peregrinos que carregam perguntas. Barnabé carrega pontes — as que sobraram depois que ele desmontou as que rangiam: pontes de relacionamento, que não têm pedágio nem dono. No café de beira de estrada o...