A Liturgia das Mãos Vazias Ana aprendeu a nomear o que sentia. Mas nomear não é o mesmo que soltar. Neste segundo ensaio, ela descobre que a verdadeira liturgia não está nas palavras certas, mas no vazio entre as mãos abertas. É um convite incômodo e libertador: parar de segurar. Deixar que o silêncio, a dúvida e o lamento sejam também formas de oração — talvez as únicas que funcionam quando já não sabemos mais o que dizer. 1. Nota do Curador Se o primeiro [1] movimento da jornada de Ana foi marcado pelo barulho surdo das paredes que caíam e pela poeira sufocante de seus altares demolidos, este segundo ensaio nos conduz ao dia seguinte do colapso. O que faz o peregrino quando a fumaça assenta, as certezas se dissipam e tudo o que resta diante de si é a vastidão plana e silenciosa de um deserto que não promete nada? As folhas que compõem este manuscrito, intitulado A Liturgia das Mãos Vazias , revelam uma Ana que já não luta contra a sua esterilidade, mas que começ...