Ensaio 025 Índice dos Ensaios Mapa do Caminho Sobre Joel O Relógio de Deus "Depois que mexeram no relógio de Deus, tá essa bagunça." A frase não é de um teólogo. É de um taxista de Congonhas, repetida por um pastor numa tela pequena de café de beira de estrada — e Joel a ouviu de segunda mão, como quase tudo o que nos acusa de verdade. Ela parece falar do tempo. Não fala. Fala de ordem, de autoridade e de quem se autoriza a mexer no que está no lugar. O que Joel faz neste ensaio é levar a frase para o deserto e sentar-se ao lado dela até ela dizer o que esconde. O que aparece é uma teologia inteira montada sobre o medo: a ordem que se confunde com Deus, a hierarquia que se veste de lei natural, a oração que virou pedido de manutenção. E, do outro lado, uma lei mais antiga — o jubileu, que Deus mesmo mandou mexer de cinquenta em cinquenta anos. Não espere um ensaio sobre calendário. Espere um ensaio sobre o ponteiro: todo "é Deus" aponta para algum l...