Antes de começar a leitura dos Ensaios, algumas dicas de um peregrino que caminha há várias décadas:
Perguntas. Não venha buscar respostas — venha buscar perguntas. São elas que mantêm a caminhada viva. Nossas incoerências, nossas mudanças, nossas fragilidades — tudo isso faz as perguntas se intensificarem, em profundidade e em quantidade. Uma boa pergunta nos encontra com nossa fragilidade e nos prepara para o encontro.
Reflexão. O que o Ensaio oferece é uma companhia para a sua própria reflexão. E refletir não é apenas o começo do caminho — é o próprio caminho, com suas curvas, atalhos, retrocessos e novos passos na direção do horizonte. É o que nos mantém ativos e vivos na travessia.
Respostas. As eventuais respostas do peregrino não são verdades prontas nem mapas definitivos — ele as encontrou caminhando, tentando internalizá-las, buscando sentido na própria peregrinação. Mas você perceberá: com o tempo, elas perdem a importância que pareciam ter no início da caminhada. Não busque nelas um manual.
Leia sem pressa. Depois de cada texto, um silêncio. Observe como o Ensaio te atravessa — onde a reflexão do peregrino te toca, onde ela te incomoda.
A Ideia. Se alguma ideia do peregrino provocar desconforto, não a descarte imediatamente. Fique com ela por um tempo. Permita-se aprofundar nas suas próprias reflexões antes de seguir adiante.
O melhor da travessia não está em chegar logo, mas no que acontece enquanto se caminha e um desconforto nos provoca e nos convida a refletir.
Meu Convite. Você aceitou caminhar com os peregrinos que tenho encontrado pelo caminho, e isso me alegra. Caminhada é sempre mais bonita com boas companhias e boas conversas.
Seu Comentário. Então deixe um comentário ao final do ensaio, assim podemos nos conhecer melhor através das nossas próprias reflexões, que sempre revelam quem somos e onde estamos nessa caminhada.
O caminho se faz mais largo, mais abrangente e mais acolhedor quando compartilhado.
* * *
Sempre gostei das palavras. Organizá-las em textos que espelhem minhas reflexões ao longo de décadas sempre foi meu hobby preferido — um hobby que há muito se tornou um modo de peregrinar e esperançar!
Arnoldo Mendonça - 13 de abril de 2026
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